domingo, 6 de outubro de 2013
CANSEI, PRA SEMPRE, DO VAZIO
Muito cansada...
Cansada de gente que não fala com linearidade, prefere jogar piada, soltar sarcasmo no ar.
Espicaça, ironiza, debocha, cerceia, diminui, desvaloriza e atropela os que ousam andar no mesmo tempo / espaço que pensa lhe pertencer com exclusividade.
Acha que é o umbigo do mundo, e que o tempo só corre pra lhe estender o tapete vermelho.
Não sorri sincero, estica a boca com certa má vontade, quase careta em tentativa de sorriso.
Ama com palavras,mas sem atos, sem gestos, sem abraços, sem presença,
- de mentirinha - porque lhe disseram, num pedaço do passado, que era preciso amar pra 'parecer' humano.
Então estaca na infância, independente de cronologia, e segue fingindo que aprendeu a lição.
Perde minutos preciosos na espreita de uma falha do companheiro de estrada, caçando defeitos e imperfeições como se pulgas fossem.
Deixou a alma em algum canto da jornada, caminha vazio, indolor, sem consciência, portanto, da dor do outro.
Quer padronizar e só aceita os que rezam na mesma cartilha.
Desarma nosso sorriso com carrancas de dia infeliz.
Não enxerga a beleza das flores, a meiguice dentro do olhar de um cão, a ternura da conversa da criança, a pureza da simplicidade.
O espetáculo diário do sol, ensanguentando a tarde na despedida do dia, preparando o parto da noite, a caravana de estrelas acompanhando a lua.
Afirma 'não gosto' para tudo o que não está na sua lista de prioridades.
Alfineta, ironicamente, pensares diversos, como se fosse o detentor da única verdade existente.
Não entende que por mais sinuoso que seja o caminho vizinho, também é caminho, também vai desembocar em algum mar de serenidade, um dia.
Cansada, principalmente, de quem não sabe ler o poema da vida, e vê como de pouca valia o esforço de quem, ao seu lado, tenta embelezar o mundo, calado, fazendo, com as mãos, a parte que lhe cabe,
porque vida, seja de que tipo for, é poesia da melhor qualidade.
Tão cansada que poderia fechar os olhos agora e abrir do outro lado, sem susto, sem sobressalto,
sem remorso e sem despedida.
[elza fraga]
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
CRISE DE POPULARIDADE INDEVIDA
[conhecido popularmente como "que isso?"]
Será o que aconteceu com todos os espaços da net que agora me conhecem pelo nome e sobrenome?
Talvez seja só uma crise de popularidade, mas logo comigo que amo ficar en-cantada? [definição : entocada em canto]
Desconfio que eles saibam até mais um 'cadinho, nem vou xeretar porque aos lerdos se dá o direito de alegrar por ignorância congênita.
Melhor que sofrer por sapiência indevida, hehe.
E toco nesse espinhento assunto porque venho notando, faz já um bom tempinho, que os vídeos do youtube que acesso me avisam:
_"Assistindo como elza fraga."
Mesmo quando não estou logada no próprio youtube, e nem no google, e nem em lugar nenhum... Apenas internet modesta, de baixa velocidade pra combinar com a minha, e navegador qualquer aberto, o aviso é tão certo como a √4 é = 2.
E o facebook também, pra não ficar fora das modernidades, me dá todos os nomes que já usei anteriormente em meu mural, mas esse respeita, ora bolinhas, espera eu me logar primeiro!
E depois, quando erro palavrinha ou outra, em comments apressados, e volto na opção edição, e edito o correto, ele me mostra [em todas as posteriores entradas, quando passo o mouse por cima do comment], como ele estava antes. Será que isso é pra me ensinar português? Sou meio fraca nessa área mesmo, confesso. Talvez tentativa, por repetição, de fixar nessa mente embotada, a lição.
E só escrevo isso porque hoje, ao visitar blogspot de amigo querido, poeta dos porretas, vi todas as anteriores versões dos seus poemas retocados.
Não deveria ser mostrado só pra ele? Eu também tenho que aprender lições de séries adiantadas, que ainda nem tenho condições de frequentar, como as dele?
Vixi , acho que vou ficar reprovada!
No mais estou feliz que tenho um site, uns blogs espalhados por aí nessa net educadora de lerdos, uma cabeça pensante de passarinho doido, olho de ler muito Manoel de Barros e coração remendado, mas que ama com toda a pouca força muscular [aprendi que coração é músculo, sou fraca não!] flores, bichos de todas as raças, plantas de todas as cores, árvores e pessoas.
A ordem de graduação de amados é essa mesma, errei nadinha não, sr facebookinho!
No mais, atenciosamente agradeço o seu esforço em me ensinar meu idioma com suas mostradas de correções que, afinal, foram feitas pela minha própria
[= me pertence] mão desinteligente.
Esperando, sinceramente, que suas aulas me entrem
cérebro a dentro [tem crase aí, por favor, site educante?]
me despeço do sr por hoje, já tive mais aulas do que a cabeça aguenta.
Bitokitas , tarde de luz, e vai aí ensinando ao próximo da fila que eu - óh - vazei, inté amanhã...
...elza fraga
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
O sono é o melhor estado da matéria. Voltando a ser zumbi...03...02...01...Fui.
O povo deveria começar a se interessar mais pelo que acontece a sua volta [e me incluo, sou povo que nem sempre presta a atenção no visto!],
mas não estou falando de fofocagem barata, estou falando de abrir os olhos
de ver, porque enxergar todos nós enxergamos, mas será que vemos?
Será que a gente vê o quanto sai todo mês do nosso bolso, em imposto?
Será que a gente vê que o posto de saúde mais próximo quando tem médico falta remédio, e vice-versa?
E que marcam consultas, na maioria das vezes, para uma data tão tão lá a frente que a pergunta certa seria : Será que vou estar vivo?
Será que a gente vê o olhar perdido do médico sem saber como dizer que o tal exame urgentíssimo terá que esperar na fila única do SUS, que assim que surgir a vaga, notificarão?
Será que a gente vê, além do olho dele, o ser humano que mora ali, e consegue entender que a decepção é igual a nossa?
Será que a gente vê que a educação faliu de vez, falta conteúdo, falta o mecanismo de pensar, falta o incentivo, falta matéria, material ou mestre?
Será que a gente vê que o professor, por mais que se esforce, nunca conseguirá ganhar essa batalha por falta de apoio, de salário, de condições para evoluir e de tempo para cursos e oficinas que o deixaria mais apto?
Será que a gente vê que diminuem nosso transporte, deixam que se desintegrem por falta de manutenção ou reposição, trens cada dia mais lotados de um povo triste, que perdeu o direito ao respeito?
Será que a gente vê que tiram linhas de circulação pra fazer corredor expresso, com transporte rápido e de primeiríssimo mundo, mas que andam lotados também, e só vão até onde nos deixam ir?
Será que a gente vê que passam carros velozes, no espaço enorme que sobrou, dirigidos por senhores de terno, com gente risonha, geralmente só, no banco de trás, indo para os Shoppings da vida, ou para Empresas grandiosas e imponentes, que nem olham para o lado, porque povo espremido e em pé nas conduções da vida não é visão das mais agradáveis?
Será que a gente vê que o salário da gente cada vez compra menos e que se começa a cortar o essencial como se supérfluo fosse?
Será que a gente vê o comércio de carne humana, povo se vendendo porque não tem outra saída, não tem oferta de emprego, não tem oferta de vida?
Será que a gente vê o lucro dos bancos e consegue comparar com o juro do nosso dinheiro suado, separado com dificuldade, tirado na marra do orçamento, colocado em um fundo qualquer, numa poupança dessas encolhidas, pra se ter esperança que renda o suficiente - quem sabe? - pra se ter, num futuro nebuloso, um teto?
Será que a gente vê como aumenta, a cada dia, a turma dos desempregados, cada vez mais próximos. Um filho, um vizinho querido, o irmão da amiga, o marido, a prima?
Será que a gente vê que quem se aposentou a menos de dois anos já perdeu cerca de 25% do salário, e não tem nenhuma perspectiva de ver o quadro - negro - revertido? E quem se aposentou a mais de dez anos está tendo que ir pra economia informal, vender qualquer coisa, representar produto de limpeza, de beleza, lingerie, fazer artesanato e bater de porta em porta?
A maioria dos aposentados e pensionistas já recebe salário mínimo.
E é isso que faz com que muitos tenham que trabalhar, fazendo bicos, para complementar a renda, como porteiros, vendedores ambulantes, motorista,
após 30, 35 anos de luta dura ...
Será que a gente vê que quem [supostamente] ganha para resolver essas situações citadas acima, além de ótimos salários, aposentadorias especiais mantendo planos de saúde que nós, pobres mortais, gentinha sem merecimento aos olhos de ver deles, nem ousamos sonhar, geralmente se aposentam com oito anos, ou um pouquinho mais, de "trabalho" remunerado por esse povo que lhes deu emprego com o voto, só legislam em causa própria?
Será que a gente vê, ou só enxerga, de passagem pela vida, rebanho que somos?
elza fraga -
terça-feira, 3 de setembro de 2013
RECLAMAÇÃO... É O QUE TEM PRA HOJE...
A gente é enganada todos os dias, por todos os serviços, por todos os lados,
confiança é uma palavra utópica, se é que se pode usar esse termo para a palavra "palavra".
Não temos que confiar em nada, nenhuma instituição, nenhuma organização, nenhuma prestadora de serviços, nenhuma mídia, nada nos merece respeito e confiança. Faliu todo o sistema.
E os que oferecem serviços, de qualquer tipo, sabem muito bem disso, então vamos ludibriar o povo que esse é sem memória mesmo!
Falo isso em solidariedade ao meu marido, pois, vendo a tristeza dele ao se sentir desrespeitado por uma promoção de jornal do Rio, me desestabilizei, e feio!
Eu leio jornais na net, acho menos descomplicado e tenho um leque maior de opções, inclusive tendo acesso a jornais de fora do país. Prefiro "notícias", "fatos", a essa mídia impressa que nos dá opinião mastigadinha tentando formatar nossos HDS.
Mas ele, por credulidade em excesso, acreditou numa promoção chamada facas do Chef de um jornal local, se encantou pelas facas e nada o demoveu da ideia de tê-las, ama cozinhar, é expert no assunto, nada mais justo, achei, que ele tivesse as facas, se as queria tanto.
Antes tentei demovê-lo da participação justificando minha posição com : "Essas coisas" não são lá muito confiáveis. Você pode comprar o jogo de facas que preferir em qualquer loja, não precisa se sujeitar a juntar e colar selinhos, coisa mais infantil."
Mas bateu o pé e ganhou a contenda, comigo, pois com o dito jornal, sobrou pra mim a guerra.
Resumo da ópera, foi o primeiro a entregar a cartela da faca de desossar, no próprio sábado, no ponto onde adquire o jornal. Acho que essa seria a quarta, as anteriores vieram normalmente. Teve sua cartela devolvida com a orientação de tentar trocar em outro lugar, a procura foi maior que a oferta, disseram com sorrisos amarelos.
Primeira providência do meu dia, comprar o barulho dele, ninguém faz meu marido ficar triste, fico junto, sou solidária. Só que o meu triste é um triste acompanhado de raios e muita trovoada.
Peguei o bendito jornal, liguei para três telefones diferentes, falei com duas atendentes, um dos números me desligou na face, rs.
Assim funciona o esquema - é chato? - finge que a ligação caiu. Só que não sou só chata, sou insuportável quando sei que estou certa e dentro dos meus direitos.
Fui ao site do dito cujo, peguei o "fale conosco", escolhi a opção promoção, dei cascudos virtuais, pedi resposta com data e local pra troca, e urgente.
Com a autorização dele, que me abriu sua caixa de email, mandei o tal cadastro que o jornal pediu, com um longo texto sobre se fazer promoções e não ter a logística necessária, nem o cuidado de fazer levantamento de leitores, de pontos de venda, de compradores fidelizados, etecetera e tal...
Recebemos resposta automática, liguei de novo, pois sei que resposta automática é exatamente o que o nome diz : Ninguém lê seu email, o sistema responde o mesmo texto para todos os "crédulos". E empurram com a barriga pensando que isso satisfez o remetente.
E, nessa nova ligação, falei com a atendente Gilmara que me disse a seguinte frase, que guardarei para quando escrever minhas memórias, rsrs:
"Se vocês receberam todas as anteriores e o suporte para colocá-las, tiveram muita sorte, tem gente que não conseguiu receber nenhuma."
Aí ferrou, baixou uma estranha esquentadíssima que mora dentro de mim e, as vezes, se solta pra dar uma voltinha.
Respondi a delicada atendente que sorte é subjetivo demais para o meu gosto, e que estava pedindo datas e local para fazer a troca antes da próxima semana, quando, se imagina, chegue a nova faca distribuída no sistema moderníssimo de Uni Duni Tê.
Fui didática ao ensiná-la como deveria ter sido encaminhada, desde o início, essa promoção, dei o passo a passo e, acho, já mereço cargo no setor de logística. Ela não se comoveu, ou mudou o discurso...
É o que tem pra hoje, nada mais a ser dito, ponto final e sinto muito, e pedimos desculpas.
Minha querida atendente, não quero desculpas, quero a bendita faca, deu pra entender direitinho agora ou vou ter que desenhar?
Consegui, com muita lábia e esforço, um número de protocolo: 123187, as 12h04m, depois de ter perdido toda a manhã tentando diálogo com alguém que detivesse o poder da informação correta.
Essa "informação correta" ainda não consegui, fiquei mesmo só sendo um número, uma promessa de, num vago e talvez inexistente futuro" ter o motivo da discórdia em mãos do marido, mais nada.
Telefone de gente responsável e séria, não consegui, mas consegui um brigadim, com o maior sorriso, do cara metade, e isso não tem cartão que pague.
Agora, aviso sério ao [mal] dito noticiário, olha a faca!
E aviso aos amigos, acreditem em promoção nenhuma de ninguém,
eu nunca acreditei e estou aqui no meio da guerra...
Melhor desconfiar, se dirigir a uma loja séria, e pagar pelo produto almejado.
Mas que a raiva não passou, não passou.
Alguém teria aí pra me fornecer um lexotam 500 [existe?] por favor?
elza fraga
— confiança é uma palavra utópica, se é que se pode usar esse termo para a palavra "palavra".
Não temos que confiar em nada, nenhuma instituição, nenhuma organização, nenhuma prestadora de serviços, nenhuma mídia, nada nos merece respeito e confiança. Faliu todo o sistema.
E os que oferecem serviços, de qualquer tipo, sabem muito bem disso, então vamos ludibriar o povo que esse é sem memória mesmo!
Falo isso em solidariedade ao meu marido, pois, vendo a tristeza dele ao se sentir desrespeitado por uma promoção de jornal do Rio, me desestabilizei, e feio!
Eu leio jornais na net, acho menos descomplicado e tenho um leque maior de opções, inclusive tendo acesso a jornais de fora do país. Prefiro "notícias", "fatos", a essa mídia impressa que nos dá opinião mastigadinha tentando formatar nossos HDS.
Mas ele, por credulidade em excesso, acreditou numa promoção chamada facas do Chef de um jornal local, se encantou pelas facas e nada o demoveu da ideia de tê-las, ama cozinhar, é expert no assunto, nada mais justo, achei, que ele tivesse as facas, se as queria tanto.
Antes tentei demovê-lo da participação justificando minha posição com : "Essas coisas" não são lá muito confiáveis. Você pode comprar o jogo de facas que preferir em qualquer loja, não precisa se sujeitar a juntar e colar selinhos, coisa mais infantil."
Mas bateu o pé e ganhou a contenda, comigo, pois com o dito jornal, sobrou pra mim a guerra.
Resumo da ópera, foi o primeiro a entregar a cartela da faca de desossar, no próprio sábado, no ponto onde adquire o jornal. Acho que essa seria a quarta, as anteriores vieram normalmente. Teve sua cartela devolvida com a orientação de tentar trocar em outro lugar, a procura foi maior que a oferta, disseram com sorrisos amarelos.
Primeira providência do meu dia, comprar o barulho dele, ninguém faz meu marido ficar triste, fico junto, sou solidária. Só que o meu triste é um triste acompanhado de raios e muita trovoada.
Peguei o bendito jornal, liguei para três telefones diferentes, falei com duas atendentes, um dos números me desligou na face, rs.
Assim funciona o esquema - é chato? - finge que a ligação caiu. Só que não sou só chata, sou insuportável quando sei que estou certa e dentro dos meus direitos.
Fui ao site do dito cujo, peguei o "fale conosco", escolhi a opção promoção, dei cascudos virtuais, pedi resposta com data e local pra troca, e urgente.
Com a autorização dele, que me abriu sua caixa de email, mandei o tal cadastro que o jornal pediu, com um longo texto sobre se fazer promoções e não ter a logística necessária, nem o cuidado de fazer levantamento de leitores, de pontos de venda, de compradores fidelizados, etecetera e tal...
Recebemos resposta automática, liguei de novo, pois sei que resposta automática é exatamente o que o nome diz : Ninguém lê seu email, o sistema responde o mesmo texto para todos os "crédulos". E empurram com a barriga pensando que isso satisfez o remetente.
E, nessa nova ligação, falei com a atendente Gilmara que me disse a seguinte frase, que guardarei para quando escrever minhas memórias, rsrs:
"Se vocês receberam todas as anteriores e o suporte para colocá-las, tiveram muita sorte, tem gente que não conseguiu receber nenhuma."
Aí ferrou, baixou uma estranha esquentadíssima que mora dentro de mim e, as vezes, se solta pra dar uma voltinha.
Respondi a delicada atendente que sorte é subjetivo demais para o meu gosto, e que estava pedindo datas e local para fazer a troca antes da próxima semana, quando, se imagina, chegue a nova faca distribuída no sistema moderníssimo de Uni Duni Tê.
Fui didática ao ensiná-la como deveria ter sido encaminhada, desde o início, essa promoção, dei o passo a passo e, acho, já mereço cargo no setor de logística. Ela não se comoveu, ou mudou o discurso...
É o que tem pra hoje, nada mais a ser dito, ponto final e sinto muito, e pedimos desculpas.
Minha querida atendente, não quero desculpas, quero a bendita faca, deu pra entender direitinho agora ou vou ter que desenhar?
Consegui, com muita lábia e esforço, um número de protocolo: 123187, as 12h04m, depois de ter perdido toda a manhã tentando diálogo com alguém que detivesse o poder da informação correta.
Essa "informação correta" ainda não consegui, fiquei mesmo só sendo um número, uma promessa de, num vago e talvez inexistente futuro" ter o motivo da discórdia em mãos do marido, mais nada.
Telefone de gente responsável e séria, não consegui, mas consegui um brigadim, com o maior sorriso, do cara metade, e isso não tem cartão que pague.
Agora, aviso sério ao [mal] dito noticiário, olha a faca!
E aviso aos amigos, acreditem em promoção nenhuma de ninguém,
eu nunca acreditei e estou aqui no meio da guerra...
Melhor desconfiar, se dirigir a uma loja séria, e pagar pelo produto almejado.
Mas que a raiva não passou, não passou.
Alguém teria aí pra me fornecer um lexotam 500 [existe?] por favor?
elza fraga
quinta-feira, 1 de agosto de 2013
ABUSEI DO PRIVILÉGIO
Estou cá, com meus botões, a tentar definir o quanto amadureci ou desajuizei, o quanto criei - ou mudei de - hábitos, da maneira mais fria e imparcial possível, depois desses acontecimentos que tomaram o país de ponta a ponta.
Logo nos primeiros atos de insurgições
[amo transformar palavras, de verbo a substantivo ou de substantivo a verbo, tanto se me dá...]
decidi que as redes de TV não eram honestas o suficiente, não contavam as verdades das ruas. Desisti delas e parti pra mídia alternativa - via internet.
Aí entrou um complicador dos bons, como separar o que é vero, da picardia? O que é fato, da utopia? O que é notícia procedente, do que é plantado com a intenção de confundir?
Lenta que sou (a própria Homer Simpson de saias) desisti de tentar fazer a peneirada e passei a me guiar, única e exclusivamente, pelo faro.
Voltei ao princípio dos tempos onde o humano, como nossos irmãos animais, usava a intuição e o nariz ao alto, em falta de mecanismo mais técnico.
Aí comecei a sentir que os fatos fediam mais que o imaginado.
E então larguei de vez essa besteiragem de querer saber das coisas.
Como a intenção inicial, lá do primeiro parágrafo, era medir meu grau de evolução [ou involução], devo confessar, me surpreendi em quanta capacidade ainda tenho de rolar ribanceira em matéria de despreparo. Não sabia que a matéria ignorância podia ser cruzada com a matemática e ser elevada a potência, e nem quero fazer essa conta correta pra não me surpreender com o resultado, só admito até a 3° potência, mais que isso corro o risco de querer abdicar do direito a vida sobre apenas duas patas.
E agora, depois que descobri que posso ser mais tolinha do que sempre pensei, me pergunto como os amigos vão aguentar sustentar um diálogo
com esse ser desinformado em que me transformei.
Não sei como andam as novelas num país de experts no assunto.
Não sei a última notícia "em primeira mão" do sr Bonner e da Dona Patricia, parece que ela também é poeta e poeta gosta de andar nas nuvens, as informações por lá são escassas.
Não sei qual a mais recente declaração bombástica de presidente, governador, prefeito. Pra ser bastante honesta não sei nem mais se eles estão saindo de casa pra governar alguma coisa...
Não sei se a polícia acuou mais povo, se inventaram armas novas depois do gás de pimenta, balas de borracha e pistola de choque.
Ou se o povo formou uma barreira compacta e aprendeu capoeira pra gingar entre balas e jatos de spray.
Não sei se redes de TV ainda funcionam com programação normal ou se todas se uniram em rede e se transformaram numa grande
Nickelodeon [TV for children], recheadinhas de desenhos entendíveis por qualquer faixa etária.
Como podem ver, desajuizei e está difícil entabular um conversê comigo,
até de mim para mim mesma.
Abusei do privilégio...
[elza fraga]
sábado, 22 de junho de 2013
ESPORTES NACIONAIS
[PESQUISAS APONTAM FUTEBOL EM TERCEIRO LUGAR]
O Brasil está uma maravilha, o povo está muito feliz, está nas ruas porque trabalha pouco e ganha muito bem, sobra tempo pra passear pra lá e pra cá nos principais centros do país, e apanhar da polícia, o novo esporte predileto, chegou forte e parece que fica em primeiro lugar, desbancando o futebol, antes idolatrado, salve salve!
Todo brasileiro agora entende de política como ninguém, e não aceita que o outro seja, também, um expert no assunto.
A exibição de conhecimentos técnicos chegou até as redes sociais, num fenômeno nunca antes visto no país.
Ninguém mais tem partido político, o partido agora [sem registro ainda, porém colhendo assinaturas num frenesi de dar gosto] é o SQP - salve-se quem puder.
Não é de esquerda, centro esquerda, extrema esquerda, direita, extrema direita, centro direita, centro só e simplesmente; é um partido meio liberal, sem programa lógico e concreto, sem estatuto entendível, com simpatizantes saindo pelas beiradas e pingando nos hospitais públicos, após honrosos combates pelo direito de fundar o seu próprio partido.
Porém, tem muitos outros, listei, nem vou colocar aqui, mas garanto que são pra todos os gostos, 20 partidos com processo de registro nacional em tramitação no TSE... Sabemos que não vingarão, ou será que...?
Pode até ter mais e minha pesquisa estar desatualizada, porque só sei do meu analfabetismo nessa área, dou pitacos porque parece que esse virou o segundo esporte nacional, deixando, de vez o futebol num nada honroso terceiro lugar.
Nada como a "se metência" em assuntos pátrios, mesmo sem entender nadica, pra trazer de volta o orgulho de ser brasileiro e o ego, óh, do tamanhão do território nacional!
[elza fraga]
segunda-feira, 17 de junho de 2013
O DRAGÃO DO VILAREJO
[Da série histórias para acordar crianças]
Era uma vez um vilarejo perdido nos confins do mundo.
Lá havia um dragão muito feio, sabia da sua força e da velocidade do fogo que expelia pelas ventas.
Dominava a região pelo medo.
Ninguém podia contestar suas determinações, suas ordens eram prontamente obedecidas e os tributos cada dia ficavam mais pesados.
Os que não podiam mais pagar eram exilados pro campo da fome e da mão estendida.
Algumas vezes, para parecer magnânimo, levava uma ou outra bolsa de alimentos até os arredores do campo e as abandonava por lá.
Era alimentado pelo sangue dos súditos do vilarejo, que cada vez se enfraqueciam mais.
Certo dia os habitantes começaram a se agrupar e a perceber que eles eram em maior número numa proporção tão inimaginável, que poderiam armar uma revolta e tentar dominar o dragão, quem sabe exilá-lo para todo o sempre?
E os mais sonhadores, os mais cansados de tanta espoliação, os mais jovens, os mais fortes, resolveram que havia chegado a hora certa, pois estava programado um torneio na arena central, com vários jogos.
Provavelmente o dragão ia se distrair, assistir um pouco do torneio, e depois, quem sabe, até tirar uma boa soneca?
Se muniram de esperanças, se armaram de palavras de ordem e saíram em colunas compactas. Partiram para a luta.
Mas os seus gritos de revolta acordaram o gigante, que, não sendo tolo, tinha já formado seu exército de dragãozinhos, tão perfeitos em maldade quanto ele.
E, esse exército, munido de suas ventas de fogo e de seus hipogrifos de estimação, criaturas voadoras que se alimentavam da carne do povo, responderam num massacre inesperado e triste.
Acuaram os habitantes do vilarejo no parque central, bem ao lado da arena do torneio.
Até quem estava apenas passando inocentemente pelo local sofreu a perseguição implacável.
E aí o povo do vilarejo aprendeu a dura lição:
Dragão não abandona o poder depois que o adquire, e é de difícil controle, porque prolifera com rapidez e esconde sua prole até o momento de crise.
Até hoje o povo sonha com o dia em que, num milagre, apareça um herói montado num centauro feroz, corte a cabeça do dragão num golpe de espada de aço e fogo, pois só essa espada mágica consegue penetrar entranhas de dragão, e prenda seu exército no castelo-caverna para todos os séculos.
[elza fraga]
HISTÓRIA P'RA BOI ACORDAR
[Em histórias para crianças despertas]
Estou pensando no que leva gente normal a mudar o comportamento num piscar de olho.
O povo está me lembrando a história do gado que foi sendo espremido em curral por tempo além da conta. Cada dia se jogava mais boizinhos, amansados, pra dentro do dito cujo.
Aí, um boizinho pensador, meio filósofo, falou pro outro :
"_Olha, se a gente juntar uma meia dúzia, partir pra cima do cercado, é bem capaz de derrubarmos o curral inteiro. Quem sabe até um belo estouro da boiada não se consegue?"
No que o outro respondeu de imediato : "_Já é !"
E, quando se abriu o olho, a boiada estava solta, mas furiosa por ter descoberto que a liberdade era questão de união, inconformados pela demora com que a ficha caiu, partiram com tudo, pouco se importando com as consequências.
Perderam o medo de respirar ar puro nos prados.
E foi bem assim que aconteceu.
Tomaram gosto pela liberdade e agora a querem de qualquer maneira, nem ligam se, pra isso, algumas bordoadas estiverem incluídas no pacote.
Claro que ainda vão se deparar com os bois do contra, os que querem ficar deitados a sombra dos ipês da vida, nas suas seguras redes.
E também com os que são contrários a mudanças, por medo, preguiça, desmazelo, tédio ou burrice.
E ainda os que, em nome da ordem, combaterão, corpo a corpo, os libertos.
Afinal nenhuma boiada é feita só de pensadores.
Mas os que pensaram, programaram, desenharam uma estratégia e a colocaram em prática, serão vistos como os que ditarão as novas regras.
Se pro bem ou pro mal só o tempo dirá, só o tempo dirá.
Como também só o tempo nos mostrará quem foi o primeiro boizinho que notou a fragilidade da cerca e começou a cooptar adeptos para a derrubada.
[elza fraga]
sexta-feira, 26 de abril de 2013
MODELO PARA PERFIL EM SITE DE RELACIONAMENTO
O site facebook insistiu tanto com aquela caixinha "sobre você", que a gente pega clicando no "sobre", embaixo da nossa foto de mural, que resolvi contar logo a verdade toda, rascunhei minha rápida biografia. Pronto, meu perfil está quase completo, hehe.
"SOBRE VOCÊ"
Sou negra, 1:80 de puro onix, cabelos encaracolados e longos, corpo de deusa grega, rosto de uma perfeição de fazer babar de inveja todas as mulheres do Planeta Terra.
Vim de uma civilização extinta por explosão de meteoros, o foguete em que me colocaram para preservação da espécie caiu em 1905 no Deserto Mojave [Califórnia, na América do Norte].
Devido a grande incidência de cobras por lá, não havia condições de vida, pois não me adaptei ao cardápio. Cobras são de difícil digestão e acabaram me causando transtornos no tubo endo, que aqui vocês conhecem como estômago. Tive fortes crises do que [vim a saber posteriormente] humanos chamam de azia.
Apesar de estar aqui desde 1905, não aparento a idade que tenho, graças a contagem diferente de tempo do meu planeta. Não sei como as terráqueas aguentam estarem velhas por volta dos 60, 70 anos.
De onde vim vivemos em torno de 800 sem aparentar idade. E é isso que tem me causado alguns transtornos neste planeta, sou obrigada a viver mudando de residência, de identidade, vagando de um lado ao outro deste mundo esquisito. Mas até que estou me saindo bem,conseguindo com facilidade, o povo daqui cria em menos de 24 horas qualquer documento que se queira, acho que é ilegal, mas quando sugo, com meu sensores pulsares, o papel que chamam de dinheiro [gosto de fazer isso em uns prédios denominados Bancos, lá tem muito! O faço invisível até passar por todas as barreiras] e os entrego a eles, riem igual crianças e me arrumam um caderno pequenino, de nome passaporte, já com vários carimbos, e aí vou de um canto a outro em naves bem diferentes das do meu planeta. Quase não cabe meus pés e fico chutando a cadeira da frente. Quando trazem refeições e as apertam entre as cadeiras, ou poltronas, fica mais complicado. Mas agora já aprendi a comer a comida daqui, só fujo dos cachorros, parece que em quase todo o mundo eles são tratados como iguais, praticamente venerados, só consegui provar o sabor na Costa Rica e na China, lá faz parte do cardápio.
Consegui, por uma passagem pela África, misturar meu código de formação e informação com o DNA de habitante local. Fui atraida pelo esplendor da cor do espécime, de onde vim somos todos de um azul puríssimo, aqui é meio confuso, tem muitas cores. Isso é estranho. Deve ser porque são muito rudimentares ainda. Mas, não quero falar mal de onde estou abrigada e escondida, foi um desabafo tolo. Só agradeço a compreensão, o povo é muito amistoso. O espécime homem então é de uma cortesia, vivem me convidando para jantares, me dão umas plantas esquisitas amarradas num ramo, o nome desta planta é flor, mas tem vários tipos todos são ruins de gosto. Não me adaptei a comê-las, prefiro uma coisa que eles pedem e chamam de massa, também tem vários tipos e todos são bons. Para beber usam uma bebida que pode ser branca ou vermelha, dependendo da comida, vinho, eu acho. É muito bom, podem tomar que vão gostar.
Devo ter adquirido alguns hábitos da gente daqui, pois passo tranquilamente por nativa.
Como devo ficar ainda uns 700 anos neste planeta atrasado - ninguém fala em foguetes, viagens ao espaço, se existe deve ser confidencial, não tenho como descobrir um lugar mais avançado tecnologicamente neste Universo - Vou tentando me inserir, vez por outra cometo um negócio que eles dizem ser gafe, como no dia que comi umas rosas amarelas na recepção do presidente de um país que parece que manda em tudo. Engasguei e perdi uma noite com ele fazendo uma coisa estranha chamada sexo. Não é ruim, mas também não é bom, é só esquisito. Torce o corpo pra cá e pra lá, se vira de ponta cabeça, tudo muito doido. Depois o espécime homem dorme de boca aberta, fazendo uns ruídos bastante incômodos.
E não posso esquecer de dizer que amei esta máquina de conhecer gente, não importa onde morem, você aperta o botão da seta na foto e a pessoa entra na sua tela e aí conversa muito, como gosta de escrever e falar este povo!
No meu planeta não vi isso, já deveria ter sido jogado como lixo, no buraco do Universo, quando nasci. Os seres de lá só precisam pensar no outro, que este aparece, imediatamente, bem na sua frente.
Pena que tenho receio de usar meus atributos aqui, posso ser interpretada de maneira errada.
Bem, espero que seja isto que este quadradinho queria saber quando se intitulou "Sobre Você". Achei que o você, no caso, era eu, acertei?
[elza fraga]
Foto: Imagem de modelo branca, escurecida artificialmente para a matéria da Revista francesa Numéro, retirada da Net
quinta-feira, 18 de abril de 2013
CRIANÇA TEM FARO
Criança tem faro, dizia a mãe em suas reclamações.
Farta em maternidade, tinha sete, sabia do que falava!
Elas sentem o cheiro da sua fragilidade e atacam com os pedidos, um tal de mãe quero isso, mãe quero aquilo.
Sentem o cheiro da sua brabeza e se escafedem, só espiam de longe, medo de broncas nem tão indevidas.
Na sabedoria das avós, mães em dosagem maior, a gente não sabe porque está dando o carão, mas as crianças sabem porque estão levando.
Sentem o cheiro da sua sensibilidade e se aconchegam pros cafunés. Aí tudo podem, e um avisa ao outro que a mãe hoje está pra conversê.
Sentem o cheiro do seu medo e se acuam, medo contagia como doença das brabas. Se encolhem, ficam minúsculos pontinhos, só olho de fora!
Sentem o cheiro da sua animação e se vestem de festa. A algazarra come solta. A vida fica toda colorida como se, num passe de mágica, todos os lápis coloridos caissem sobre o mundo e rabiscassem tons alegres e os nem tanto.
Sentem o cheiro da sua inquietude e espiam pela janela a chegada dos faltosos: "Cadê o pai, manhêêê, por que 'tá demorando?"
E aí, um belo dia, elas crescem quando menos se espera e a mãe desespera.
Cadê as crianças que estavam aqui?
O gato comeu!
Só deixou gente grande, tudinho sem faro, em seus lugares.
E a falta da molecada trabalhenta rói as tripas, até largar a mãe no osso, pedindo arrego à vida e remexendo o baú do passado atrás da gurizada... Querendo tudo de volta.
[elza fraga]
sábado, 13 de abril de 2013
SERÁ O APOCALIPSE?
Estamos entrando num mundo novo, e, por novo, desconhecido e amedrontador.
Vejo coisas, ouço coisas, sinto medo, mas não quero me esconder nas cobertas da cama pra toda a eternidade.
E o que é o meu pavor para as mentes sem limites que planejam nosso futuro?
Sim, se a gente teimar em pagar pra ver e continuar vivo, este futuro tenebroso será nosso também!
Cada dia menos um "isso pode" e mais um "isso não pode".
Cada vez mais aumenta o bloco dos intolerantes em todos os campos.
Tomaram de assalto as esquinas da vida e ocuparam todo o espaço cedido pelos nossos pés recolhidos
Os preconceituosos, na surdina da calúnia, tentando descalçar reputações para dominar melhor o quinhão já abocanhado.
Irmão contra irmão. Credo contra credo. Cor contra cor. Raça contra raça.
A turma dos perfeitos contra os "diferentes".
A diversidade apedrejada por cada um que acha a sua verdade a única e inquestionável.
Não é confesso, é tudo feito as escuras!
O ato do desamor e da segregação é solitário e escondido em almas e mentes que se acham "superiores e poderosas".
A intolerância escapa pelas beiradinhas, quando tentamos abafá-la ela se retrai, se apaga temporariamente como arquivo morto, pra ressurgir à frente, imbuída de mais força e mais comandados!
E segue a legião de zumbis atrás dos líderes desta insânia.
As feras começaram a mostrar os dentes!
E eu me sinto tão criança, tão desprotegida, apesar da idade estar avançando rápido e me engolindo no tempo que não empaca nem pra respirar, corre maratona feito louco.
Não sei me defender e choramingo com medo do bicho-papão moderno e sua corriola de terrores noturnos, os monstros que moram atrás das cortinas e se aproveitam do silêncio das madrugadas pra pegar quem não dormir.
A internet joga fatos e boatos, como uma doida sem camisa de força, nada pode deter seu poder de noticiar, propagar ou inventar, afinal moram homens dentro dela.
Não entende que nossas modestas cabeças não conseguem digerir tanta informação estranha, caindo como raios riscantes sobre o cérebro já embotado pelo terror do que ainda pode vir.
E os jornais se tornam ameaças reais:
Abro ou não abro? Leio ou não leio?
Com que notícia hoje eles farão da minha insônia uma tensa e dolorida corrida de pensamentos desencontrados?
Assino quais manifestos?
Participo, ou não, de passeatas?
Rezo ou tremo frente a tantas novidades tortuosas?
Choro por mim ou por eles?
Quem vai ouvir meus pedidos de que seja só um pesadelo, e vai me acordar num solavanco salvador?
Fico ou desço do mundo?
Quando invadirem minha cabeça com o bendito apagador de memória, elevarei a última prece que restará registrada e agradecei por estar me tornando mais uma na fila dos sorridentes vazios.
In nomine Patris, et Filii et Spiritus Sancti. Amen.
[elza fraga]
sábado, 23 de março de 2013
O CONTO PERDIDO
Sabia que era um conto vindo de mansinho assim que doeu no ventre e subiu peito acima tentando destrancar a garganta.
Pensei, ah, te peguei, agora fica paradinho aí, que vou começar a desenhar as letras.
Desceu goela abaixo correndo.
Era um conto tímido.
[elza fraga]
quarta-feira, 20 de março de 2013
ERA UMA VEZ... A LUA
[Uma pequena contribuição para o Dia Internacional do Contador de História -- 20 de março]
Era uma vez...
Um lugar distante onde só morava a lua, não tinha habitante. Todas as noites descia pelo céu aquela moça branca e nua, atravessava toda a rua sem asfalto lá do espaço, se mirava em todas as lagoas, brincava com as águas riscando com seus raios. Sonhava com o dia em que chegassem os sapos, ao menos os sapos, pensava distraida...
Um belo dia chegou uma grande comitiva em seus cavalos alados, pedido atendido, mandaram não só sapos, mandaram os humanos, seus ódios, suas crias...
E a lua, escondida, suspirou num desabafo: Nem precisava tanto...
E até hoje quando ela vê discórdia se esconde entre as nuvens. As vezes se transforma, vira minguante de tristeza. Crescente quando sente que tem criança perto. Quando vê sorrisos e abraços, fica cheia pra participar da festa da alegria. E quando vê muita maldade fica nova pra resgatar a pureza perdida... Coitadinha da lua que se vira em quatro pra tentar agradar a todo o planeta, afinal, lembra ela, quem foi que pediu tanto pra ter companhia?...
Ela não me contou ainda, mas -acho eu- que até se arrependeu.
[elza fraga]
segunda-feira, 18 de março de 2013
TERAPIA DO ABRAÇO
Tenho um amigo ateu até o osso... Nas vezes que o encontro, discutimos filosofia, falamos com ironia de literatura, de música, de arte, ele cansa rápido, talvez medo que eu tente convencê-lo da vida pós morte. Aí busco seu abraço que dá claridade, como tem conforto o seu braço forte, abraço que abençoa, mas me calo, deixo em segredo, pra não perder a bênção, só fico ali, presa no abraço até me preencher da Luz que ele emana. Quando cada um vai pro seu lado e digo vai com Deus para um incréu, ele sorri e segue, eu paro na calçada até sumir seus passos.
Tenho um amigo negro de luzir... Nas vezes que o encontro meu sorriso brilha de ver sua alegria em sorrir pra mim. Como é bom seu jeito de menino grande, seu andar gingado, amo seu abraço. Quando ele parte meu olhar estica até que dobre a esquina com seu passo largo. Sinto segurança por toda uma semana, pois fico com as palavras mais fortes e amigas dançando comigo, como se ele fosse para um lugar distante, mas deixasse o abraço até o seu retorno.
Tenho uma amiga simples de dar gosto... Fala tão macio, sabe tudo um pouco, mas não se aprofunda, se poupa da dor, diz que quem aprende muito não consegue entender o que está por perto e fica com a cabeça, permanentemente, perdida na lua. Abraça apertado de doer costela, mas dá uma vontade de ficar pra sempre dentro do abraço dela, aconchegadinha. Quando parto, olho para trás até ter torcicolo, numa má vontade de ter que partir, até ela sumir nas sombras do portão. Sinto seu abraço até chegar em casa, é só fechar o olho e abrir a porta do meu coração.
Tenho uma amiga, menina ainda, nem sabe o que quer ser quando crescer... Quando ela me vê seu olhinho brilha tanto que me dá vontade de me enternecer e repetir, só pra mim, baixinho, a frase tão batida de Saint-exupéry, que sou responsável pelo que cativo. Pede uma história que conto com gosto, me escuta atenta, só mãos inquietas, acompanha cada gesto pra não perder um ponto, uma reticência, um pulo do sapo, o passeio da princesa, nada lhe escapa. Antes de ir correndo para a brincadeira passa seus bracinhos na minha cintura, me abraça e diz um "upa", lhe respondo rindo que foi meu melhor abraço em um ano e meio.
Tenho um amigo poeta... Pensa que é louco porque pensa muito, mas acho até pouco tudo o que ele pensa, porque quando me conta do raio de luz que atravessou o céu vindo da estrela que ele acredita que seja a amada já perdida em outra vida. Batida de carro, sobrou muito pouco, só a dor, a poesia não escrita, e o soluço que sufocou a escrita. Ah, quando ele me abraça, transfunde poesia como quem doa sangue. E fico apertada de nó na garganta querendo prendê-lo dentro do meu braço pra calar o pranto que chora pra dentro. E sigo seus passos até a segurança do seu espaço, sem que ele perceba, para protegê-lo dos seus pensamentos e da solidão.
E quando penso nas pessoas que não tem nenhum abraço me dá uma vontade louca de sair repartindo todos os que ganho.
Mas me disseram um dia que gente grande tem vergonha de ser abraçado, eu não acreditei, mas não me arrisquei... ainda.
[elza fraga]
DEFININDO AMIZADE
Assim defino amizade :
Ela é irmã da compreensão e da aceitação.
É ver o amigo/irmão com suas imperfeições e dizer a própria alma, também tenho as minhas, vou focar apenas nas coisas boas que este meu ser querido tem, pois isso é mais importante.
É aprender a entender o dito e o não dito, sem achar que cada palavra mandada é uma agulha enfiada na carne da gente, pode ser que se esteja percebendo errado o peso de cada uma delas.
É dar um voto de confiança, antes de julgar.
É não exigir a perfeição, ninguém a possui.
É não reclamar da pessoa, com terceiros, quando a mesma não está presente.
É dar o direito ao outro de ser diferente em qualquer área:
Torcer por outro time. Não comungar na mesma fé. Ser de outro partido. Pertencer a outra raça. Gostar de pagode.
O amigo mesmo tudo pode sem perder a condição e o contrato selado, carimbado, chancelado, autenticado para sempre!
A amizade é quase como dar um ingresso vitalício a outro ser para que ele assista a história da nossa alma.
E tem um valor que nem se mensura, pois não se coloca plaquinha com preço em amizade expondo nas esquinas!
Se não for neste tamanho e nesta doação, desculpe, não é amizade, é companheirismo, é coleguismo, é relação social apenas!
Temos, e rápido, que aprender a diferenciar uma das outras pra que a vida fique mais fácil de ser levada, porque qualquer fardo a mais que se carregue por engano, pesa, e muito, nesta louca e bela viagem.
[elza fraga]
domingo, 10 de março de 2013
TENHO AMIGOS SIM, E DE QUE QUALIDADE!
TENHO AMIGOS SIM, GRAÇAS! E TENTO SER UMA PESSOA "LIMPA" DE ALMA, ISSO ME PARECE MAIS IMPORTANTE QUE QUALQUER OUTRA LIMPEZA
[Mas descobri que a minha transparência, postura e limpeza vem incomodando um pouco a uma minoria mal amada!]
Tenho amigos sim! Honestos, fiéis, irmãos 'quase', talvez nem 'quase', pois o sangue que corre nas veias humanas é igual em tonalidade, muda a tipologia, não o conteúdo. E estes amigos/irmãos são todos sinceramente comprometidos com a verdade, e me rejubilo por cada um deles em minha vida... Somando, amparando, alegrando meus dias noturnos [paradoxo? Não! É que existem dias escuros como a mais escura madrugada].
Tento, me esforçando na medida máxima, devolver o carinho, o conforto e os sorrisos em igual medida e os reverencio a cada segundo. Não citarei nomes, pois são tantos que posso, sem querer, deixar algum de fora. Mas quem ler este texto saberá o quanto cabe aqui, ou não.
Meus amigos não foram achados, encontrados, feitos, foram "reconhecidos" no decorrer da vida, pois me acompanham em muitas. E eles tem o mesmo júbilo que eu em me contar entre seus amigos, sabem o peso e o comprometimento desta palavra.
Eles fazem parte das minhas preces, tanto quantos os que se orgulham de dizer que não gostam de mim e tentam levar mais gente na corrente fazendo intriguinhas meio debilóides, quase infantis... Será que este segundo grupo não entende que existe gente que ainda não se emprenha pelo ouvido?
Estes, os que caluniam e usam seu tempo na fofocagem e deboche, se, num assomo de hipocrisia, disserem que são meus amigos, me ofenderão mortalmente
Mas, como nem tudo é lodo e madrugada feia e escura, ainda existem dias de sol brando, tardes de arco-íris e noites de lua cheia, muita gente [olha que usei a palavra gente, pra mim bem mais forte que "ser humano" ou "pessoa"] gosta de mim sim!
Olhares e corações não conseguem disfarçar o sentimento.
Só os hipócritas pensam que conseguem, mas fazem uma espécie de engano em causa própria, são eles os enganados o tempo todo. Chega a hora em que as máscaras caem. Mas, antes mesmo delas cairem, eles são tão execrados e caluniados pelas costas, quanto caluniam os outros. Até quem os ajuda na maledicência, sai dali espalhando veneno contra eles, numa louca roda que não acaba nunca para os infelizes que sobem neste círculo endoidado.
Vampirizam e são vampirizados.
Dói em pessoas do bem saber que muitos destes tiveram sempre oportunidades de atravessar pro lado da Luz. Alguns inclusive usam o disfarce de alguma religião, frequentam templos, conspurcando o Sagrado Nome do Criador.
"Quem leva calúnias e maledicência para alguém, informações, fofocas, também tem outros amigos, e leva, no mesmo teor, notícias fresquinhas, verdadeiras ou não, deste alguém para a sua outra corriola." E este é o risco que corre o maledicente...
Mas, como diz o velho ditado: "Quem está na chuva é pra se molhar"
Eu, felizmente, uso capa e guarda-chuva.
E tento não ser melhor nem pior que ninguém, apenas fazer o meu comum da maneira mais justa possível, rezando na cartilha que diz sobre o: -- "Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo".
Respeitando estas duas orientações facinhas de serem cumpridas a vida se torna fardo menos pesado, mesmo quando nem tudo na vida da gente cheira bem como algumas flores, porque para narizes sensíveis algumas pessoas, que se pensam belas por fora, fedem no interior de se sentir longe!
E aqui encerro este assunto que nem doeu... Vindo de onde veio nem poderia doer, mas deixou um profundo sentimento de pena misturado a nojo.
Bitokitas de Luz aos Amigos que sei que são muitos e iluminados, agradeço a Deus por cada um deles!
E meus votos de que a minoria [de um ou dois, talvez três, quem sabe ao certo?] ainda tenha tempo, nesta vida, de passar pro lado da Luz!
BALANÇO GERAL
Sinto falta do tempo perdido com pessoas que não entenderam a doação de minutos preciosos, horas gastas em conversas que só entraram em orelhas, donas de ouvidos que nunca participaram.
E dói mais quando percebo que perco muito mais tempo ainda, sentindo falta!
Sinto falta da moleca que fui até pouco tempo atrás e que a ciência, numa tentativa de ser maior, desconstruiu, e deixou peças faltantes para que não possa mais montar este quebra-cabeça que chamam de vida. E como corre rápido este tempo enquanto cato os cacos...
Sinto falta do ar que nem agradecia, pois era farto, de boa qualidade, sem esforço me inflava pulmões e fazia a máquina andar azeitada. Hoje, tão raro, sugo em tentativas de continuar de pé.
"Só mais um pouco, só até a próxima esquina", repito, tentando respirar enquando ando, como mantra.
E sigo, meio fantasma, meio zumbi, cambaleando na estrada, já quase vendo a placa de saida.
Sinto falta dos amigos e agregados que sumiram nas curvas, nas encruzilhadas, na calada das noites mornas, num "vou ali" sem endereço. E é mais tempo que perco ao perder o olhar no vazio procurando seus vultos, mesmo com a certeza que a espreita é vã, nada mais será igual ...
Outras pessoas entrarão, amigas ou não, ficarão o tempo necessário pra me fazer o bem ou o mal que mereça, estas também sumirão nos caminhos sinuosos da minha existência. E perderei mais tempo lamentando o futuro que nem chegou e, quem sabe, nem chegará?
Sinto falta da casa cheia, dos risos fartos, das visitas inesperadas e bem-vindas, da convivência que existia quando eu era gente. Sinto falta de ser, novamente, necessária. Mas sei que há o tempo de rir e de chorar, e é no riso que se acumula e no choro que se perde.
Sinto falta do que tive e jamais terei de volta.
E sinto falta do que não tive por usar o tempo de forma errada, com gente errada, com conceitos errados, com visão errada, com palavras erradas, com decisões erradas, com vida errada.
Acho que dentro do meu corpo mora a alma errada, me deram senha trocada na hora da vinda...
Sinto falta de não ter acertado de primeira e ter escoado a vida pelo ralo da ignorância e me acuso, ré confessa, de não ter percebido, a tempo, que gastei todo o tempo com quem nem me merecia segundos...
Sinto tanta falta!
[elza fraga]
sábado, 9 de março de 2013
CARAPUÇA
PARA AQUELE(A) QUE SE ABORRECER COM ESTE TEXTO
[Nao vista a carapuça, é só um artigo a respeito da área comportamental humana]
Acho que eu já disse, mas repetir isso hoje vai me fazer bem a alma:
Tenho uma vergonha imensa de pertencer a raça humana. E cada dia aumenta!
Raça que mente, usa até seu tempo de "cuidados com a beleza" pra fazer maledicência e tranças em conversas nem tão secretas com massagistas e manicures, nos escondidos dos seus quartos, onde deveria haver respeito, conversas sadias, amor ao próximo, para que a presença dos seres iluminados pudesse, na hora do descanso, se chegar e velar pelo sono, dar o refrigério do amor Divino.
Sem entender que "beleza" mesmo é não falar de quem não está presente para se defender. Beleza mesmo é conversar sobre coisas decentes, é aprender a domar a lingua com conversas construtivas.
Ninguém é obrigado a gostar de ninguém, mas uma das leis que Jesus nos deu pra seguir quando aqui esteve foi a de amar seu semelhante como a si mesmo.
Então, mesmo não gostando, temos o dever de tentar amar e respeitar o próximo e só dizer dele [ou fazer a ele] aquilo que gostaríamos que nos fizessem.
Nem é difícil, um bom treinamento e o "orai e vigiai", pronto, se consegue rapidinho.
Muito mais difícil é tramar e urdir mentiras, inventar fatos, jogar lama em nome alheio, apenas para esconder fatos concretos, situações insustentáveis que não se conseguiu resolver e que está prejudicando terceiros e quartos. Então se espalha mentiras a respeito dos envolvidos para distrair o foco da incompetência própria!
Beleza mesmo mora dentro de alguns poucos. E a estes eu respeito e admiro, pois ainda consigo enxergar quando o interior é luz.
Tanta gente que luta para ser bela com alta tecnologia [rsrs], mas que se os outros mortais conseguissem olhar o interior, fibra por fibra, fugiriam da visão dantesca, porque levam a visão do inferno dentro de si.
Raça suja que usa a covardia como arma e fala do que não sabe, não viu, não tem provas, pelo prazer de encher a boca imunda com o nome de quem nem no seu toca.
Gentinha insana, mesquinha, despudorada [no sentido de não ter freio na lingua devassa].
Esteja a vontade quem vestir a carapuça para imprimir e vir com o peso da lei, porque hoje em dia as ameaças são frequentes para aqueles que não são coniventes com a mesquinhez de certos infelizes que se comprazem no mal, chafurdam na lama, e perdem precioso tempo nos "santuários de seus lares" para destruir reputação com invencionices malucas.
E a quem tem tempo sobrando pra tanta maldade, um conselhinho e dou de graça, dispensa a lavadeira, a faxineira, mete a cara no trabalho sujo, que garanto, não vai sobrar um segundinho sequer pra embelezamentos exteriores feitos enquanto se cultiva a arte perniciosa da calúnia, do desamor.
Ah, se ainda assim sobrar tempo, por milagre, pode vir até o meu apartamento, parece que ele anda meio desprovido de limpeza, sabe como é, a dona da casa doente não dá conta do recado, rs!
Não exijo perfeição, todos somos sombra e Luz, mas repito, me envergonho de estar "ser humano" no meio de tanta podridão que avança em onda lamacenta tentando me atingir. Não vai conseguir, sou imune a cobrices e sujeiras, me vacinei!
Levo uma máxima, desde jovem, vida a fora:
"O que os outros pensam e dizem a meu respeito é problema deles, eles é que vão acertar esta conta com Deus. O meu problema é o que penso, falo e como ajo com os outros, porque aí quem acerta esta conta sou eu".
E por seguir esta máxima a risca é que na minha casa entram poucas pessoas, só gente do bem e da Luz, daqui não sai fofoca, maledicência e nem trancinhas da vida alheia.
Talvez por não fazer parte do coro dos infelizes e maldosos caluniadores, não permitir este tipo de comportamento dentro do meu lar [porque o meu eu respeito, quem não quiser respeitar o seu, esteja a vontade], eu seja sempre o alvo, mesmo que eles saibam que estão mentindo...
Mas o que é uma mentirinha a mais ou a menos para gente sórdida. não é mesmo?
Eu ia fechar com a frase que uso para os amigos:
"Fiquem na Luz",
Mas acho que esta é mais apropriada:
Busquem a Luz!
sexta-feira, 8 de março de 2013
TODOS OS DIAS SÃO NOSSOS
[Que a gente consiga administrar o tempo, porque ser mulher é dolorido, mas é doce e gratificante quando se organiza as prioridades]
O mundo progrediu... A mulher foi de carona?
Ou conquistou no braço, no suor, na marra, seu quinhão de independência?
E que independência seria esta?
Existe mesmo esta talzinha de que tanto falam, mas que, quem mora dentro de um corpo de mulher, procura, procura, e fica a ver navios?
É fato: Mulher em mesmo cargo que homem, mesmo tendo maior escolaridade, ganha 30% menos que ele. E aí entra a independência e a liberdade de poder chiar a vontade.
Mulher ainda tem tripla jornada: Profissional, mãe e doméstica.
Mulher, mesmo tendo que tomar decisões amadurecidas e sensatas, tem que ser jovial.
É essencial que não perca a ternura da menina, que não deixe a mostra a raiz grisalha, que não engorde, que tenha a palavra certa para manter a paz do lar, que assuma seu ofício sem reclamar.
Mas que ofício é esse que esconde tantos?
Mulher é mil e uma utilidades?
A violência contra a mulher aumentou? Ou é reflexo da liberdade de reclamar, a mulher perdeu o medo e agora aponta o dedo pro algoz e este fato alterou as estatísticas?
Ou diminuiu? Mas como se ainda vejo mulheres amigas inteiramente submissas, falando baixo na hora do futebol do seu macho? É respeito, medo ou mistura dos dois?
Muitas vivem assustadas com que humor ele pode chegar da labuta, mas, vindas também da luta, obrigadas a dar o seu melhor.
Afinal família come, e quem é responsável pelo jantar, trabalhe fora de casa ou não?
Não é que ser mulher seja difícil, não! Ser mulher é quase impossível.
A sociedade moderna ao nos abrir portas, nos tributou com encargos pesados demais, nos fez acumular onde era pra trocar.
Nada contra homens em geral, até gosto, sério!
Mas já passou da hora da avaliação, com propriedade e boa vontade, do que realmente a mulher ganhou [ou perdeu].
Fechar as contas no vermelho já é normal, temos que partir pra contabilidade mais confiável, puxar dados, fechar dentro do nosso orçamento/alma.
Começar a distribuir tarefas para as várias mulheres que moram dentro da mesma casca.
E a primeira, de cara, é dura, é descascar o abacaxi mais espinhento que já vimos.
Homem é diferente na anatomia. Talvez na maneira de pensar também, mas quem pode mudar isso?
A mulher! Como educadora, criando seus filhos como iguais, respeitando as diferenças e incentivando a igualdade.
Depois partir pra segunda, não somos super em nada, ou vamos a luta atrás de dinheiro ou vamos ser domésticas. Escolha.
Se optou pela primeira não abra mão de estar com os filhos e o companheiro, eduque com pulso firme, mas doce.
Mas tenha lazer e não tarefa e obrigação, terceirize seu lado doméstico, dê responsabilidades a quem divide o mesmo espaço. Não se deixe domesticar pra fazer tudo no automático porque algo vai ficar incompleto.
E a terceira é apenas um conselho:
Perca o medo!
O medo de não ser boa o suficiente. O medo de dar pouco tempo pros agregados. O medo da maturidade. O medo de falar o que sente. O medo de ser você mesmo, sem máscaras. O medo de levar desaforo pra casa. O medo de deixar de ser a "mulherzinha" cheirosa. O medo dos filhos, sim, mulher tem medo de filho, de opinião de filho. O medo de viver com as rédeas soltas.
Esqueça todos estes medos, levante o nariz, faça só o que sua estrutura aguenta, porque o dia que acordarem com a casa no maior caos, a comida fora da mesa, a organizadora fora do ângulo de visão [sempre deixe um bilhete na geladeira, funciona que é uma beleza: "Fui ali fora ver a vida passar em ritmo mais lento!" ];
a família, com certeza, vai entender o recado, fazer o mutirão e colocar tudo ajeitadinho.
Agora, se você é uma das poucas com o privilégio de ter um suporte vinte e quatro horas por dia, em forma de arrumadeira, cozinheira, governanta, relaxe... Este texto tem zero por cento de chance de ser pra você.
[elza fraga]
terça-feira, 5 de março de 2013
ARRUMANDO AS MALAS
Abriu a janela, teve medo dos raios... Fechou e cerrou cortinas.
No inferno do quarto quente se desejou morta, achou uma tarde ideal pra se morrer de repente.
Ninguém ia sentir muito a sua falta.
Talvez demorassem semanas a perceber a ausência.
Mas a morte não vem célere, ao primeiro chamado.
Ela foge de quem a busca e caça os fugitivos.
Muito louca esta tal de morte, e ingrata ainda por cima.
Por acaso não sabe que larga retalhos de pele e ossos, que nem mais gente é, esquecidos, nesta sua seleção macabra?
Abraçou os ossos do joelho, quase feto, tentando voltar ao útero do universo.
Nada mais lhe era de gosto, nem verso lhe fazia gozo. Nem de ler, nem de escrever!
Só queria um pedacinho limpo de morte, uma canção leve pra ajudar o transpasse, mãos que a segurassem no salto por sobre o abismo, ou asas, quem sabe?
E a ausência de dor por toda a eternidade.
Decidiu.
Abriu a janela, inventou as próprias asas, e fez o serviço que a louca da morte vinha protelando por castigo ou preguiça.
E voou em busca de abrigo, agora novamente livre de amarras.
Pronto, já podem chegar os abutres pra divisão do festim.
Tim tim!
[elza fraga]
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
MAKTUB
A palavra Maktub [traduzida na maioria das vezes como "era escrito", "estava escrito"] quer dizer, em tradução literal, "carta", e vem do árabe.
Forma alguns conceitos que corrobora a tese em que muitos acreditam: Destino traçado.
E isso pode não ser tão bom, dá a falsa impressão que somos sempre vítimas da missão que nos escolheram, merecedores da Misericórdia Divina.
Trava nossas buscas nos fazendo concluir que não adianta correr atrás da Luz, pois nossa cota exata já está traçada e pronto.
Convenhamos, carta é um veículo de comunicação que, se não tiver nada escrito, perde o valor de ser.
E quem escreve cartas? O ser vivo dotado de inteligência e com a necessidade de se comunicar, mesmo em palavras riscadas no papel.
" Se você continua vivo, é porque ainda não chegou onde devia" [conceito Maktub que é quase um desmentido desta fatalidade - Força que predispõe os acontecimentos.]
Igual as cartas somos todos nós, estamos vivos e viajando no tempo a procura dos destinatários certos.
Depois que identificarmos todos, nos deixar decifrar por cada um, cumprir a missão da mensagem, só então, como as cartas amareladas, já podemos ser descartados pelo planetinha azul.
Até a reciclagem, amigos, pois nos tornaremos em novas cartas. Quiça os afetos nos reconheçam na nova roupagem, ou envelope.
[elza fraga - maktub-ando]
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
MILAGRES
Vinha eu e meus botões, de cabeça baixa pra não trumpicar nos calçamentos irregulares das obras da rua, inacabadas, esperando inauguração pras vésperas da eleição. Meu olho se deparou com algo brilhante, entre uma pedra solta e outra. Abaixei, cuidadosamente, escutando o crec do joelho sequelado, e pincei com os dedos uma medalhinha, dizeres apagados pelo tempo. Uma imagem sofrida, quase
como se uma lágrima fosse descer a qualquer momento medalha abaixo.
Fiquei ali parada, como a idiota que vez por outra me toma o conteúdo,
sem decidir se abrigava o bendito achado, ou o descartava no mesmo vão
de pedra. Resolvi. Vai ter um lar! Abri minha correntinha, e no meio da
rua mesmo, passei a medalha pelo fio, recoloquei a corrente, agora com
mais um símbolo de alguma coisa incerta, ainda incompreensível. E voltei
a minha lenta caminhada, passos antes trôpegos, contados, com uma
estranha e nova alegria no peito, como se alguém tivesse soprado vida
nova pra dentro dos pulmões tão debilitados, ar renovado, esperança nas
batidas coordenadas deste coração emendado em tres pedaços.
E tem gente que nem acredita em milagres...
E tem gente que nem acredita em milagres...
domingo, 7 de outubro de 2012
NÃO GOSTO DE GENTE COM A CORDA QUEBRADA.
Não gosto de gente dúbia, ardilosa, que usa de subterfúgios pra fazer com nos enrolemos nos nossos próprios textos. Gente que não tem a lisura de ser objetivo, vive de subjetividade. Gente que se sente bem na vitimização própria.
Gente que vira o vento a seu favor roubando as velas do nosso barco. Ou até assume nosso leme quando nos distraimos numa olhada pro céu pra esticar beleza no olho.
Gente que quando faz besteira ou se embrenha nos enredos é incapaz de assumir, com humildade, com coragem, sem tentar passar a responsabilidade a frente.
Não gosto de gente grande covarde, que a maneira das crianças,
choraminga quando não tem saida, não consegue se ver encurralado nas
próprias omissões ou mentiras.
Não gosto de gente que usa o outro como desculpa ou testemunho, aumentando a corrente dos indecentes, dos incapazes de viver sua própria vida sem muletas.
Não gosto de gente que abandona por qualquer motivo, ou por nenhum motivo, só porque se acha mais triste que a tristeza do planeta. E justifica com seus males corriqueiros, que, no final, são igualzinhos a todos os outros, do mundo inteiro.
Não gosto de gente que não reage, não age, não luta, se encosta no tronco alheio como orquídea e até espalha beleza, mas só serve pra se olhar enquanto viça, depois que murcha perde a serventia.
Não gosto de gente que não ajuda, não estende a mão, não ora pelo irmão, não telefona nas horas necessárias, não chega junto e diz:
- Estou aí, pro que der e vier, sou seu amigo, seu parente, seu irmão, seu filho, seu pai,seu companheiro de jornada.
Não gosto de gente que rotula, julga e banca a santo, mas quando a coisa aperta pro outro lado, some, alega que de nada sabe.
Vê só o doente que lhe interessa, os outros, que nada tem a oferecer, podem morrer que não lhes faz nem diferença.
Não gosto de gente que só pensa em si mesmo, egoístas, armadores, doentes, com certeza, mas de uma doença que a ciência não descobre nem o nome!
Não gosto de gente que dá as costas aos problemas existentes no mundo, pois só os seus já estão de bom tamanho.
Não gosto de gente que acha que o mundo tem que lhe bater continência, suprir suas carências, girar em torno dele. E quando as coisas tomam outro rumo, deitam na cama, se desesperam, não assumem suas mazelas. Culpam tudo e a todos.
Não gosto de gente que só quer ouvir o que lhe interessa, particularmente. Gente que ainda não descobriu que somos todos elos da mesma corrente.
Não gosto desta gente, mas olha, minha gente, como tenho pena!
[elza fraga]
Não gosto de gente que usa o outro como desculpa ou testemunho, aumentando a corrente dos indecentes, dos incapazes de viver sua própria vida sem muletas.
Não gosto de gente que abandona por qualquer motivo, ou por nenhum motivo, só porque se acha mais triste que a tristeza do planeta. E justifica com seus males corriqueiros, que, no final, são igualzinhos a todos os outros, do mundo inteiro.
Não gosto de gente que não reage, não age, não luta, se encosta no tronco alheio como orquídea e até espalha beleza, mas só serve pra se olhar enquanto viça, depois que murcha perde a serventia.
Não gosto de gente que não ajuda, não estende a mão, não ora pelo irmão, não telefona nas horas necessárias, não chega junto e diz:
- Estou aí, pro que der e vier, sou seu amigo, seu parente, seu irmão, seu filho, seu pai,seu companheiro de jornada.
Não gosto de gente que rotula, julga e banca a santo, mas quando a coisa aperta pro outro lado, some, alega que de nada sabe.
Vê só o doente que lhe interessa, os outros, que nada tem a oferecer, podem morrer que não lhes faz nem diferença.
Não gosto de gente que só pensa em si mesmo, egoístas, armadores, doentes, com certeza, mas de uma doença que a ciência não descobre nem o nome!
Não gosto de gente que dá as costas aos problemas existentes no mundo, pois só os seus já estão de bom tamanho.
Não gosto de gente que acha que o mundo tem que lhe bater continência, suprir suas carências, girar em torno dele. E quando as coisas tomam outro rumo, deitam na cama, se desesperam, não assumem suas mazelas. Culpam tudo e a todos.
Não gosto de gente que só quer ouvir o que lhe interessa, particularmente. Gente que ainda não descobriu que somos todos elos da mesma corrente.
Não gosto desta gente, mas olha, minha gente, como tenho pena!
[elza fraga]
sábado, 6 de outubro de 2012
TEMPO É CASO SÉRIO
Site da imagem: overmundo.com.br
O tempo passou
rápido demais! Ainda ontem era ontem, desperdício do tempo que se move,
inquieto, sempre pra frente, não para pra olhar pra trás.Hoje já é hoje caminhando pra amanhã.
E aposto que amanhã vai chegar com aquela pressa malvada de não dar tempo pra tres respiradas de fundo de pulmão.
Acho que vou, definitivamente, me mudar para o futuro, se ele já estiver de porta aberta, detesto dar com a cara no muro!
O ruim do andar por estas terras de viventes é que não tem presente, só se pressente e, pumba, já passou e já é outro presente que zomba da gente e corre atrás do anterior.
Escutei um 'causo', num passado [que o tempo ou é passado ou já passou] do sujeito que espreitou o tempo numa esquina, por tanto tempo, tentando segurar só um pequenino momento, que cansou, se fechou num sono tão profundo, que foi o tempo que, sorrateiro, lhe pegou e prendeu no fundo dum ciclone louco, que corria os dias e noites sem parar, e ele conheceu cada lugar mais lindo que o outro, coisa até de endoidar olhar, até ele não achar mais graça e cansar, e pedir ao tempo, em desespero, pra parar em algum lugar, só pra ele saltar fora do tempo, mas o tempo parece que moucou e, nem assim, parou...
[elza fraga]
O ruim do andar por estas terras de viventes é que não tem presente, só se pressente e, pumba, já passou e já é outro presente que zomba da gente e corre atrás do anterior.
Escutei um 'causo', num passado [que o tempo ou é passado ou já passou] do sujeito que espreitou o tempo numa esquina, por tanto tempo, tentando segurar só um pequenino momento, que cansou, se fechou num sono tão profundo, que foi o tempo que, sorrateiro, lhe pegou e prendeu no fundo dum ciclone louco, que corria os dias e noites sem parar, e ele conheceu cada lugar mais lindo que o outro, coisa até de endoidar olhar, até ele não achar mais graça e cansar, e pedir ao tempo, em desespero, pra parar em algum lugar, só pra ele saltar fora do tempo, mas o tempo parece que moucou e, nem assim, parou...
[elza fraga]
EXPERIENCIANDO
Andou o dia todo pela estrada poeirenta, ondulante, nem fome batia na barriga vazia. Sabia que era dura a empreitada, mas tinha escutado da mulher antiga que morava dentro dela que era possível, isso bastava.
E aí, já no final da tardinha, quando o sol descia morno por trás da montanha e quase sumia na risca do mar, ela chegou ao final da estrada. Não tinha mais pra onde andar reto, ou era subir ou voltar, estava na embocadura do céu com a terra. Resolveu num impulso: - "Vou subir mesmo que me falte o ar na empreitada".
Mas antes, pra se certificar de que não passaria por mentirosa se
voltasse pra contar a história, levantou os braços e numa ousadia rasgou
um pedaço do azul, ainda quentinho do sol batente, guardou nas dobras
do vestido, respirou fundo todo o ar que conseguiu sugar pelas narinas e
subiu o primeiro degrau...
[elza fraga]
[elza fraga]
terça-feira, 25 de outubro de 2011
A LOUCA DA PRAIA
Estou aqui lendo, me informando, me formando na matéria mais difícil.
O triste e solitário aprendizado de pular os muros que a vida teima em ir construindo a minha frente.
De meia em meia hora dou uma parada, alongo, tomo uma golada de ar e retorno.
E me pergunto se isso é o que valerá a pena.
Se não estou perdendo vida enquanto acumulo informações,
cultura vazia, diplomas de vento.
O que eu quero realmente pra mim?
Saber porque o mundo gira perfeitamente encaixado e ainda não caiu na minha cabeça?
É essa a minha meta?...Saber além da sabedoria e ciência permitida e desvendada?
Pra provar o que pra quem?
Provar que sou capaz de mais saber pra me bastar?
Será que é importante o eu me bastar?
Enquanto faço a paradinha de dez, quinze minutos,
não posso deixar de pensar na inutilidade disso tudo.
Tanto sacríficio, tanta vida escoando vazia de vida,
vazia de afeto, vazia de amor. Pra que?!
Será que alguém vai lembrar de colocar no meu caixão,
quando eu me for, os meus saberes em forma de certificados
disto ou daquilo?!
Será que alguém vai lembrar, num discurso, o quanto e como
me esforcei e perdi noites debruçadas sobre leituras vagas, filosofias baratas?!
Queria ser uma analfabeta muito amada, com um cara que falasse "pobrema" a toda hora,
mas me amasse e passasse isso no olhar, no beijo, no riso.
E me segurasse e prendesse como só os brutos sabem prender uma mulher.
Um homem que me olhasse e o olho brilhasse só por me ver, descabelada, suada,
arrumando plantas numa nesga de jardim de qualquer barraco, pendurado num morro destes da vida.
E que me elogiasse, e me chamasse de linda, e me pegasse
de jeito, e me fizesse amor nos lugares mais inusitados,
como uma cozinha, com teto de zinco esburacado,
mostrando o negror de um céu de tempestade, enquanto a chuva caia e o susto de desmoronar tudo
nos arregalasse o gozo e nos deixasse com mais gana, amando como animais no cio,
sabendo que a qualquer momento
poderíamos estar ali, estupidamente mortos, soterrados
por barro e lama, olhos esbugalhados no estertor do
prazer, e não no da morte, pois seríamos já acostumados ao risco.
E morrer de prazer seria apenas o final da espera do que já sabíamos de outros tempos, de outras vidas, de outras eras.
Um homem com mãos calejadas, coração enorme, sorriso escancarado, mas que soubesse exatamente onde mora
o prazer do meu corpo.
E o despertasse com as mãos rudes e inquietas.
Talvez isso fosse o destino perfeito, o que joguei fora ou nem procurei.
O que me faria saber preenchida... Pois esta vazia certinha, em que me tornei, cheia de não me toques e porquês,
não me atrai mais.
Quero jogá-la fora, mas se agarrou de uma tal maneira a
minha casca, a minha pele, que virou a minha extensão perfeita. A vestimenta do luto!
Não me abandona e não me deixa seguir. Marca passo junto comigo.
E isso faz uma ansiedade de ludibriá-la, sair escondida a deixando trancada.
Ir para o mundo me premiar de gandaia.
Correr no tempo, despir-me de mim e correr nua na chuva,
me doar ao primeiro, e voar como louca, gargalhar insana
e me perder e me achar...
Depois, retornar a este pesadelo e prisão, de vida pré
moldada, mas guardando no fundo do corpo o prazer
de ter sido, uma única vez, amada de verdade,
como toda a mulher deveria e merece ser amada.
Depois teria ao menos uma lembrança pra carregar,
doce fardo, pela vida afora.
Sentaria na praia, com o olhar de louca, olhando o final do mundo, lá onde o horizonte se curva
e as embarcações desaparecem, com um sorriso tatuado de recordação
do que foi efêmero e eterno. Importante e descuidado.
Valioso e vulgar...
E balbuciaria palavras desconexas mastigadas do gosto de visões de deuses.
E os passantes diriam:
Aquela é a coitada que numa única vez se emprenhou
de vida, a cabeça não suportou!
E cuspiriam os seus sorrisos de desdém na minha enrugada face.
E se iriam, felizes, pois eles sabiam que possuiam sanidade.
Mas eu, só eu, sabia o que possuia, o tesouro de ter me
dominado e me feito plena numa lua qualquer...
Numa noite qualquer... Com um homem comum e qualquer.
E isso me bastaria, até o final dos tempos....
(Elza Fraga)
Publicado em: 01/06/2007 22:56:54
sábado, 22 de outubro de 2011
NÃO SOMOS REALIDADE, SOMOS O SONHO DE DEUS
"A criação do sonho de Deus."
Um dia, nesta roda imensa do Universo, imerso na eternidade de todas as coisas; Deus, solitário a pensar,
encucou que iria criar a sua continuidade...
Fomos pensados e arquitetados para sermos criaturas de Deus...
E quanto mais Ele pensava na forma e no conteudo,
mas se convencia da necessidade da criação que
morava nos Seus ideais.
Quando começou a tarefa deve ter exclamado:
Eureca, este é o caminho!
E completou a sua obra, dando o mesmo valor e peso a mulher
e ao homem, a mesma capacidade de aprendizado,
a mesma sintonia, apenas os fez com pequenas diferenças
para que aprendessem a conviver com elas e a respeitá-las...
Bem, até aí se vê que não somos realidades, somos o sonho de Deus.
Mas as coisas começaram a perder o controle com o passar das eras.
O homem começou a renegar a sua criação Divina e a pensar que
nasceu de um acidente natural ou biológico...
Começou a inventar teorias para a sua criação.
Começou a se achar forte, detentor de toda a sabedoria,
e começou a questionar a sua origem Divina.
E aí, Deus que tinha em seus planos nos fazer seres em constante evolução,
com limitações que a matéria nos imporia, começou a repensar a sua obra.
Não no sentido de destruição, pois nos sabia criaturas tolas e fracas,
que não tiveram nem discernimento para se descobrirem um sonho e viviam como se fossem a mais palpável realidade...
Mas a prever o prejuizo que poderíamos nos causar reciprocamente...
E viu que a sua obra 'perfeita' havia pegado o freio nos dentes e
começava a renegar e a dispensar a ajuda Divina...
E aí, sábiamente, Deus nos deixou continuar acreditando que existiamos, que éramos suficientes para nos cuidarmos
e para nos provermos...
Teve pena de nos acordar do sonho...
E teve tristeza pelos rumos que tomávamos
Acredito, que a cada dia de sol, Ele desce a Terra e acorda uma de suas criaturas...
E aí ela vê que é feita do material de sonho.
E se descobre potencial divino, continuação de um projeto de Deus...
Por isso é que, vez ou outra, encontramos algumas pessoas humildes, simples,
desapegadas, diferentes, com um brilho de doçura no olhar,
mas que andam com o porte e a dignidade de um ser iluminado...
E essas, já acordadas, falam pouco, mas quando falam, é como se escutássemos a música que aquieta o coração, que embala a alma, que traz a paz...
Um dia estaremos todos acordados pra esta realidade paradoxal:
Que somos feitos de sonhos Divinos.
E aí todos teremos o brilho no olhar, a doçura na voz e a paz na consciência.
E o amor que já mora em alguns poucos corações, morará em todos.
Eu me sei um sonho de Deus, se sou louca ou apenas utópica,
isso deixo pra julgamentos dos que ainda pensam que podem julgar...
E por isso também sei que a realidade é apenas uma projeção dos sonhos, ela não existe como a vemos...
Pois a cada segundo não é outra realidade a nos surpreender?...
Eu olho o mar, viro o rosto por um minutinho, quando volto o rosto pro mar, ele já é outro mar, outras águas, outra percepção do que chamamos de "realidade"!
Por isso me aceitei sonho e me refugiei nele.
(elza fraga)
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